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JUBA
O dilúvio
Data:19/12/2018 - Hora:09h50

A poesia prossegue em clima de grande movimentação, animando São Paulo: o grupo Sanguinovo, em passeatas, poetas vão à rua com as palavras de ordem: “Interferir no marasmo urbano de São Paulo, estimular uma participação popular e, principalmente, abrir espaços e conquistar corações”. Nesta ocasião, houve a presença de uma Centopeia Poética, de 15 metros de comprimento conforme foi fartamente noticiado pelas folhas. Manchete dos jornais de Sampa em 4 de dezembro de 1979: “Chove poesia no centro de São Paulo”. A poesia jovem serviu de diversas formas de comunicação para atingir o público, numa efervescência que tomou conta do país e deu palavra às mais variadas tendências. Os poemas apareceram em simples folhetos mimeografados, xerocados, posters, cartões-postais, cartazes e, até mesmo, em muros e paredes. Como parte da estratégica de marketing, esse material chegou aos teatros, ruas e exposições, levado pelos grupos de poesia jovem. Mas conseguiram ganhar seu espaço também em publicações alternativas da chamada imprensa nanica, nos jornais, revistas ou livros lançados por diversas editoras que se dedicaram a essa “poesia marginal”, como a policromática revista Navilouca, o espirituoso e juvenil Almanaque Biotônico Vitalidade e o transgressivo Dobrabil, do poeta paulista Glauco Mattoso. De acordo com estudos de antropólogos, o forte calor seco e abafado afeta o metabolismo da comunidade, o que caracteriza pela inquietação, pela impulsividade e pela imprevisibilidade de comportamento. Pelo contrário, Presidente Prudente manteve-se em uma posição de neutralidade perante os grandes acontecimentos políticos e sociais do século 20, no Brasil, o que fez com que a cidade desenvolvesse características muito singulares e ficasse alheia ao imaginário nacional. Tais artistas não comungavam com essa propensão à neutralidade política adotada pela cidade. Mas o modelo de neutralidade sociopolítica adotado pela elite minoritária dominante não pode dar conta de explicar tudo.

Do ponto de vista cultural há um isolamento ocasionado também por outros fatores, sendo um deles a falta de consciência política, a egolatria e o individualismo exagerado. A questão mais agravante que permeia até o presente: o desinteresse dos representantes do povo em criar leis que incentivam as atividades culturais e, principalmente, respeitem o artista como cidadão e produtor profissional. O clima quente influencia muito na mentalidade da população. O calor excessivo agrega uma atmosfera de furacão interno e silencioso. Mesmo tendo o suporte de uma religiosidade ascética somada a uma emotividade exacerbada não suprem o vazio existencial. Esses jovens apesar de terem sido educados nesse contexto cultural, tentaram em suas obras estabelecer um visível lastro crítico em relação a essa herança. Um deles recorda com palavras mordazes: “Ficamos à mercê de uma educação literalmente medieval, feita de maus-tratos físicos e psicológicos que visavam destruir toda e qualquer manifestação natural de vitalidade. Nessa declaração, expõe-se um dado fundamental que alicerça a história de Presidente Prudente. Desde a sua fundação, no século 20, a questão religiosa apresenta um fator primordial de manipulação e controle, conforme demonstra visivelmente o número de igrejas e templos, demarcou com a eleição do padre Francisco Leão, da Igreja Católica, como vereador na década de 1970. Pouco se conhece sobre sua história e sua cultura não oficial. E para tratar da fragmentária história cultural do município, é preciso tirar o véu por sobre esse enigmático universo situado numa região fortemente amarrada aos elos tradicionais da Casa Grande e Senzala, articulada a oligarquia, de mandatários, além de sua economia primitiva e sazonal do extrativismo agrícola e a pecuária de corte, conhecida popularmente como “cultura bovina”. ***___Rubens Shirassu Júnior, escritor, pesquisador e pedagogo de São Paulo. Autor, entre outros, de Religar às Origens (ensaios e artigos, 2011) e Sombras da Teia (contos, 2016)




fonte: Rubens Shirassu Júnior



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