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Cinderelas e as Belas
Data:22/05/2018 - Hora:07h58

Apesar de uma devoradora de literatura desde a adolescência, a faina do cotidiano nos últimos tempos, os avanços cibernéticos, deixaram aqueles anos memoráveis na gaveta da saudade, guardadinhos no meu íntimo, mas,  hoje resolvi relembrá-los com uma visão diferente dos registros da época, à nós liberados. Um deles, A Bela Adormecida, originariamente Belle au bois Dormant, escrito pelo francês Charles Perrault em 1697, com versão alemã dos Irmãos Grimm, com o nome Little Brier-Rose, povoou meus devaneios de menina.

Recentemente pesquisando, fiquei sabendo que o famoso conto era cópia do italiano Giambattista Basile, que em 1634, havia publicado um semelhante chamado Sol, Lua e Tália, ou, Sun, Moon, and Tália, que havia inspirado Perrault a escrevê-lo. Na história de Basile, uma farpa de linho entrou sob a unha da princesa Tália e ela morreu. O rei colocou a filha em uma cadeira de veludo do palácio, trancou e partiu para sempre, pra apagar a lembrança de sua dor. Algum tempo depois, outro rei esteve por ali caçando e encontrou Tália, se apaixonando por sua beleza, tomando-a como esposa, mas não conseguiu acordá-la e foi embora. A princesa dormente, deu a luz aos gêmeos, Sol e Lua, mas continuou adormecida e um dia um dos bebês não encontrando o seio para mamar, colocou a boca no dedo da mãe e sugou com tanta força, que extraiu a farpa e a faz despertar. Claro, que Perrault foi mais romântico, com beijo milagroso e festa de casamento no palácio encantado.

Outro conto que também li e reli, foi Cinderela, conforme apurei, bem antigo, com versão grega antes de Cristo e registros na China nos anos 800 e os pesquisadores literatos acreditam que é a história possa ter centenas de versões. Em muitas delas, Cinderela foge de seu pai, que quer casar-se com a própria filha, pois esta lhe lembrava sua falecida esposa. Assim como A Bela Adormecida, as duas versões mais conhecidas da história foram de Charles Perrault e dos Irmãos Grimm. A versão que li nos anos 80 do século XX, parece que foi ontem, mas lá já se vão alguns anos, (não vou dizer minha idade, pronto!), parece ser a mais coerente, inclusive adotada por Disney.

Conforme esta versão, a mãe de Cinderela morreu e algum tempo depois, seu pai se casou com outra mulher, que já tinha duas filhas más que logo apelidaram a menina de Cinderela. Um dia, o rei anunciou um baile e Cinderela foi obrigada a ajudar as irmãs a se arrumar; Ela precisava escolher lentilhas para o jantar, mas com ajuda de pássaros terminou logo o serviço, e da alma da mãe, ganhou um vestido dourado com pedras preciosas e sapatilhas de cristal, a tempo de ir ao baile. O príncipe já a esperava na escadaria e fez muitas perguntas a seu respeito. Cinderela, cujo encanto acabaria a meia noite, quase perdeu o horário, teve que sair correndo e perdeu um dos sapatinhos. O príncipe encontrou o sapatinho de cristal e proclamou que se casaria com a pessoa cujo pé coubesse nele. Na fila imensa na porta do castelo, o único pezinho que serviu no sapatinho foi o de Cinderela e o resto, todos já sabem, na versão moderna do século XVII de Perrault, imaginem, sem madrastas más e ou menina cortando o calcanhar pra ver se o sapato servia; Tempinhos bons, leituras boas, sem mangás, ou laranjás, não é mesmo? ***___Rosane Michelis – Jornalista/pesquisadora, Bacharel em geografia e pós em turismo.




fonte: Rosane Michelis



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